“Vai passar
Nessa avenida um samba popular
Cada paralelepípedo
Da velha cidade
Essa noite vai
Se arrepiar
Ao lembrar
Que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais.”

Chico Buarque de Holanda

Como será o amanhã? Pergunta o poeta. Seremos mesmo capazes de nos colocar e responder a esta ousada questão? Que futuro nos aguarda quando tudo mudar, quando tudo passar? O que será quando o velho ceder lugar ao novo? Como garantir dignidade, democracia, felicidade, bem-estar?

Aprendemos que a história é a sequência de lutas e contradições. Conflitos de classes, disputas interclasses e de novas classes surgindo no interior de sociedades em transformação. Ao longo da história vimos a humanidade passar por várias fases na complexa estrutura de exploração econômica de poucos sobre muitos.

Como pensar um modo de produção e consumo onde se coloca o capital sem o trabalho, ou em novas formas de contrato e produção? Como pensar as novas formas de propriedade e o alcance da velha propriedade privada? Como pensar na solução para os conflitos decorrentes do interesse individual versos interesses coletivos? O que será da competição? O que será dos oligopólios e monopólios? Como se dará a inovação e o aumento da produtividade? E o compartilhamento amplo de seus ganhos?

A América Latina traz em sua alma algo novo e as sementes do novo encontram-se espalhadas por toda a parte, em cada esquina, em cada fábrica, em cada serviço, em cada trabalho, em cada poesia, em cada família. Algumas destas sementes brotarão enquanto outras perecerão. Das que brotarem, algumas sobreviverão compartilhando do novo tempo, seguindo em constante mutação. Mas, afinal, quais sementes da futura sociedade prevalecerão? Como podemos colocar nossa capacidade de estudo, pesquisa e análise a serviço do desvendar deste aparente mistério?

Como se pode ver, temos mais perguntas do que respostas. Mas reconhecemos o poder de se fazer as perguntas certas, se quisermos ousar enxergar o futuro.

O objetivo de se reunir pensadores do pós-capitalismo é identificar os elementos de mudança, os grupos sociais que trazem o novo. Identificar novas formas de produção, distribuição e consumo. Pensar e produzir o novo pensar sobre o que nos aguarda. Escutar os sinais.

“Na bruma leve das paixões que vêm de dentro
Tu vens chegando pra brincar no meu quintal
No teu cavalo, peito nu, cabelo ao vento
E o Sol quarando nossas roupas no varal

Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais
Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais.”

Alceu Valença, Anunciação

Que contradições se colocam no seio da sociedade capitalista em sua fase hiperfinanceira? Qual o futuro da venda da força de trabalho em meio à hiperautomação das fábricas, combinada com inteligências artificiais na sociedade do conhecimento?

Enquanto se preparam as máquinas para conversarem com máquinas, como ficará a conversa entre os humanos?

Alguns de nós tem a consciência de que a sociedade como tal não interessa à grande maioria da população. Já não é possível tolerar a náusea da pobreza e do ódio aos diferentes. Insuportável acordar pela manhã e caminhar pelas ruas em meio a humanos sem teto e sem comida. Dói a cabeça ouvir a ignorância das vozes de alguns poucos políticos a regular paixões ensandecidas. Nos confunde a produção intensa de peças num mundo de pós-verdade, que só fazem dissuadir e desviar nossa atenção, enquanto truques de mágica controlam a sociedade.

As massas despossuídas seguem em crescimento, enquanto a população envelhece de maneira acelerada. De crianças abandonadas e miseráveis parece que caminhamos para a sociedade dos idosos pobres e abandonados. Os desníveis sociais avançam na maior parte do planeta.

O que será do Estado? Comido a cada dia pelos interesses famintos de poucos privilegiados, segue impossibilitado de fazer justiça social, por servir muito mais aos interesses de corporativismos e compadrios de elites corruptas e iletradas, que dele se apropriam. Enquanto destroem o patrimônio de todos por meio a “tenebrosas transações” as massas sem educação, segurança e saúde seguem sem rumo.

“Num tempo página infeliz da nossa história,
passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
Dormia a nossa pátria mãe tão distraída
sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações”.

Chico Buarque de Holanda, Vai Passar

A Missão dos pensadores do pós-capitalismo é desenvolver e manter ativo um “think-tank” tropical que seja capaz de produzir ideias, análises e cenários que apontem os caminhos do futuro.
Nossa Visão é ser reconhecido como o mais importante centro de pensamento sobre o futuro da sociedade capitalista da América Latina.
Nossos Valores: Busca da Verdade, Compartilhamento, Credibilidade, Imaginação, Reflexão e Sensibilidade.

Trabalharemos com pensadores associados divulgando seus textos, realizando seminários sobre temas específicos ligados à construção de cenários sobre o futuro de questões como trabalho, meio ambiente, clima, população, consumo, distribuição de renda e pobreza, habitação, educação, saúde dentre outros. Sempre na perspectiva de identificar e discutir as sementes do futuro.

“Meu Deus, vem olhar, vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade até o dia clarear”.

Chico Buarque de Holanda, Vai Passar